Estamos na Semana de Moda de Paris desta semana, um dos eventos mais influentes do mundo quando se trata de estética, comportamento e tendências culturais.

E uma coisa chama a atenção de forma muito clara: a exaltação do estranho.

O feio parece estar na moda.
O esquisito já não causa choque.
O bizarro se transforma em tendência.

Quanto mais estranho, mais conceitual.
Quanto mais incomum, mais “fashion”.

Aquilo que antes causaria desconforto ou estranheza hoje aparece nas passarelas como símbolo de vanguarda estética.

E isso não é apenas uma questão de moda.
Também é um reflexo cultural.

A forma como uma sociedade define o que é belo ou desejável diz muito sobre os valores que estão circulando naquele momento histórico.

Durante séculos, o belo ocupou um lugar central na arte, na filosofia e na espiritualidade.

Para Platão, por exemplo, a beleza não era apenas uma característica estética.
Ela era um reflexo de uma ordem mais profunda do universo.

Na filosofia platônica, o belo tem a capacidade de elevar a alma e aproximar o ser humano do que é verdadeiro e eterno.

A experiência do belo, portanto, não era superficial — era espiritual.

Na arte clássica, isso se refletia de forma clara.

Esculturas gregas, pinturas renascentistas e grandes obras da tradição artística buscavam harmonia, proporção e equilíbrio.
A beleza era entendida como uma expressão da ordem natural e da inteligência do cosmos.

Contemplar o belo era, de certa forma, contemplar algo do divino.

Hoje, porém, parece que assistimos a uma mudança curiosa.

Aquilo que antes seria considerado disforme, estranho ou até desconfortável passa a ser apresentado como inovação estética.

O feio vira conceito.
O bizarro vira tendência.
O estranho vira estilo.

Não se trata de dizer que toda arte ou moda deve seguir um único padrão de beleza. A história da arte sempre foi feita de rupturas e experimentações.

Mas quando a estranheza passa a ser exaltada como valor em si, surge uma pergunta interessante: o que isso revela sobre a forma como nos relacionamos com o belo?

O psicólogo Carl Gustav Jung observava que os símbolos e as imagens culturais refletem estados profundos da psique coletiva.

Aquilo que uma cultura produz — suas imagens, suas narrativas, suas estéticas — muitas vezes revela movimentos internos da sociedade.

Talvez por isso valha a pena observar com atenção o que aparece nas passarelas, nas artes e nas tendências visuais do nosso tempo.

Será que estamos vivendo um momento em que o belo passou a ser visto como algo ingênuo ou ultrapassado?

Em muitos contextos culturais, falar de beleza, felicidade, harmonia ou divindade parece quase fora de moda.

O belo, às vezes, é tratado como algo cafona.
O simples parece ingênuo.
A harmonia parece antiquada.

E é justamente aqui que entra uma reflexão interessante quando pensamos nos cristais.

Os cristais são uma das expressões mais puras da beleza da natureza.

Eles se formam nas profundezas da Terra, na escuridão, sob calor e pressão, ao longo de milhares — às vezes milhões — de anos.

E desse processo nasce algo extraordinário.

Estruturas geométricas perfeitas.
Brilhos naturais.
Cores que parecem quase impossíveis.

Algo que emerge da escuridão da Terra e se transforma em beleza cristalina.

Quando observamos um cristal natural, é impossível não se emocionar...algo acontece dentro de nós.

Há encanto... fascínio.... alegria.

Existe algo profundamente harmonioso na forma como os cristais se organizam.

 

Talvez porque a beleza natural ainda carregue essa ligação com uma ordem maior... com aquilo que, ao longo da história, muitas tradições chamaram de divino.

 

Precisamos refletir no que está acontecendo.....

Será que estamos sendo conduzidos a nos afastar do belo ou simplesmente esquecendo como reconhecê-lo?

Talvez seja importante lembrar que nem tudo que aparece como tendência precisa se tornar referência para a nossa forma de ver o mundo.

A moda muda.
As tendências passam.
Os movimentos culturais se transformam.

Mas a experiência do belo, aquele belo que eleva, que inspira e que conecta com algo maior...

Sempre vai existir!!!! 

 

Talvez, no meio de tantas imagens estranhas e estéticas provocativas, seja justamente isso que precisamos recuperar:

o olhar para a beleza. Aprender a reconhecer o belo.....

A beleza que existe na natureza.
A beleza que existe na arte.
E a beleza que ainda pode existir dentro de nós.

 

 

Porque, no fundo, reconhecer o belo talvez seja também uma forma de enxergar o que existe de mais bonito dentro de nós!!!